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Você já precisou dar um retorno difícil para alguém e travou, sem saber como falar sem magoar?

Se sim, provavelmente conhece bem esse dilema. De um lado, existe o medo de ser duro demais e acabar ferindo a pessoa. Do outro, surge o receio de suavizar tanto a mensagem que ela perde a força e, no fim, nada muda. Diante disso, muita gente bem-intencionada acaba escolhendo o pior caminho: não falar nada.

Mas aqui vai uma verdade que todo líder precisa ouvir: feedback não é sobre apontar o erro, é sobre ajudar alguém a crescer. E quando é bem feito, ele é uma das ferramentas mais poderosas de desenvolvimento que existem. Isso é UAU.

O problema é que quase ninguém aprende a dar feedback. Em geral, a gente aprende a mandar, a cobrar e a reclamar. No entanto, conduzir uma conversa que corrige sem desmotivar, que aponta um caminho sem diminuir a pessoa, é uma habilidade. E, como toda habilidade, ela pode ser desenvolvida.

Por isso, neste artigo, quero te mostrar por que o feedback costuma dar errado, qual é o erro que estraga qualquer conversa difícil e, principalmente, um passo a passo prático para você corrigir de um jeito que a outra pessoa realmente escute.

Por que o feedback trava — no seu cérebro e no da outra pessoa

Antes de partir para a técnica, é importante entender o que acontece por baixo.

Quando alguém se sente criticado, o cérebro interpreta aquela situação como uma ameaça. Nesse momento, a mesma amígdala que dispara diante de um perigo real entra em ação diante de uma crítica. Como consequência, a pessoa para de raciocinar com clareza e passa a se defender. Ela cruza os braços, arruma desculpas ou, simplesmente, desliga.

Agora, repare em um detalhe importante: nesse momento, por melhor que seja o seu conteúdo, ele não entra. Afinal, não adianta ter razão se a pessoa fechou a porta para ouvir. Por isso, a forma como você conduz a conversa importa tanto quanto aquilo que você tem a dizer. Talvez, inclusive, importe até mais.

Dar um bom feedback, portanto, começa por uma escolha simples: em vez de acionar a defesa do outro, você precisa criar segurança para que ele consiga ouvir. É justamente isso que separa uma conversa que transforma de uma conversa que apenas gera mágoa.

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O erro que estraga qualquer feedback

Existe um erro silencioso que sabota a maioria das conversas difíceis: entrar nelas com a intenção de provar que você está certo.

Quando o foco passa a ser “eu preciso mostrar que essa pessoa errou”, tudo muda. O tom muda, a postura muda e, consequentemente, o outro percebe. A conversa deixa de parecer uma ajuda e passa a soar como um julgamento. E, afinal, ninguém cresce quando se sente julgado.

Por isso, é preciso virar essa chave. O objetivo do feedback nunca deve ser mostrar que você tem razão. Pelo contrário, deve ser ajudar a outra pessoa a evoluir. Embora essa mudança de intenção pareça pequena, ela transforma completamente a conversa, porque a sua energia passa a comunicar cuidado, e não ataque. Em outras palavras, um bom feedback não é sobre você. É sobre quem recebe.

Duas formas de dizer a mesma coisa

Para entender melhor o peso desse “como”, vale observar uma situação prática.

Imagine, por exemplo, que alguém do time entregou uma apresentação confusa. Nesse caso, existem diferentes formas de devolver essa percepção.

A primeira seria: “Ficou bagunçado, não deu para entender nada, assim não dá.” A frase pode até expressar uma verdade. No entanto, a pessoa provavelmente sai da conversa menor do que entrou e, além disso, pode repetir o erro, agora com medo de tentar novamente.

Por outro lado, a segunda forma seria: “Dá para ver que você domina o assunto, isso ficou claro. Só senti que a sequência das ideias se perdeu no meio. Que tal a gente organizar em três blocos na próxima? Como você enxerga isso?”

Nesse segundo exemplo, a verdade continua sendo dita. Porém, o resultado é completamente diferente. A pessoa sai sabendo o que precisa melhorar e, ao mesmo tempo, com mais vontade de fazer diferente.

Portanto, a diferença não está exatamente no que foi corrigido, mas na forma como a correção foi feita. E é justamente esse “como” que separa um líder que desenvolve pessoas de um líder que apenas aponta falhas.

5 passos para um feedback que a pessoa realmente escuta

Quando a intenção está correta, o caminho também se torna mais claro. A partir disso, existe uma sequência prática que pode ajudar.

Primeiramente, comece pelo que é verdadeiro e específico. Antes de corrigir, reconheça o que foi bem, mas faça isso com precisão. Evite elogios vagos. Em vez de dizer apenas “foi legal”, diga: “a forma como você abriu a reunião prendeu a atenção de todos”. Dessa maneira, o elogio mostra que você realmente prestou atenção e, além disso, prepara a pessoa para receber o restante da conversa.

Em seguida, fale do comportamento, e não da pessoa. Existe uma diferença enorme entre dizer “você é desorganizado” e afirmar “esse relatório ficou sem uma ordem clara”. Enquanto a primeira frase ataca a identidade e gera defesa, a segunda aponta algo concreto e ajustável. Por isso, corrija a ação, nunca o caráter.

Depois, traga a pessoa para a conversa usando o “a gente”. Em vez de dizer “você precisa mudar isso”, experimente perguntar: “como a gente pode deixar isso mais claro na próxima?”. Com esse pequeno ajuste, a cobrança se transforma em parceria. E, consequentemente, a parceria abre aquilo que a crítica costuma fechar.

Além disso, ofereça um caminho, e não apenas o erro. Apontar o problema sem mostrar uma possibilidade de mudança deixa a pessoa perdida e frustrada. Por esse motivo, todo feedback corretivo precisa vir acompanhado de uma orientação clara sobre como fazer diferente. Assim, a conversa termina com direção, e não com peso.

Por fim, feche devolvendo a palavra. Em vez de encerrar a conversa com uma sentença, pergunte: “o que fica para você dessa conversa?” ou “o que você faria diferente na próxima?”. Quando a pessoa verbaliza o próprio aprendizado, ela tende a assimilá-lo melhor. Afinal, ninguém defende com tanta força uma ideia quanto aquela que sente que ajudou a construir.

Repare, portanto, que nenhum desses passos exige dureza. Todos exigem cuidado, clareza e intenção. E é justamente essa combinação que transforma o feedback em desenvolvimento, em vez de desânimo.

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E o feedback positivo? Capriche nele também

Existe um mito de que o feedback serve apenas para corrigir. No entanto, isso não é verdade. O reconhecimento também é uma das formas mais poderosas de feedback que existem e, ao mesmo tempo, uma das mais desperdiçadas.

Quando você diz a alguém, de forma específica, o que aquela pessoa fez de excelente, não está apenas sendo gentil. Na prática, você está mostrando exatamente qual comportamento vale a pena repetir. Um simples “mandou bem!” pode até soar positivo, mas costuma se perder no ar. Por outro lado, dizer “a forma como você acolheu a dúvida do cliente, sem pressa, fez toda a diferença” ensina, fortalece e orienta.

Por isso, líderes que só aparecem para apontar o que está errado acabam formando times com medo. Em contrapartida, líderes que reconhecem o que está certo, com a mesma precisão com que corrigem, formam equipes que crescem. Portanto, não economize no reconhecimento verdadeiro.

O ambiente importa: elogie em público, corrija em particular

Além da forma como o feedback é dado, o ambiente também faz toda a diferença. Afinal, uma mesma mensagem pode construir ou destruir, dependendo de onde e diante de quem ela é compartilhada.

Corrigir alguém na frente dos outros, mesmo com a melhor das intenções, quase sempre gera vergonha. E, como consequência, a vergonha bloqueia o aprendizado. Já o reconhecimento público, por outro lado, fortalece, motiva e pode inspirar o time inteiro.

Por isso, existe uma regra simples e poderosa: elogie em público e corrija em particular. Para as conversas difíceis, reserve um momento a sós, em um ambiente tranquilo e sem plateia. Dessa forma, o próprio contexto já comunica respeito antes mesmo da primeira palavra. E o respeito, por sua vez, é o solo onde qualquer feedback pode florescer.

O momento certo importa tanto quanto as palavras

Além do lugar, o momento também precisa ser considerado. Antes de qualquer conversa difícil, existe uma pergunta que vale ouro: “este é realmente o momento certo?”

Quando o feedback é dado no calor da emoção, logo depois do erro, com você ainda irritado ou com a outra pessoa ainda abalada, dificilmente funciona. Nessas condições, a emoção costuma falar mais alto do que a razão e, assim, a mensagem vira desabafo, em vez de desenvolvimento.

Por isso, respire. Espere a poeira baixar, escolha um instante mais tranquilo e conduza a conversa com calma. Ao mesmo tempo, não deixe passar tanto tempo a ponto de perder o contexto. O ideal é encontrar um equilíbrio: dar espaço para que os dois cheguem inteiros ao diálogo, sem deixar que a situação esfrie demais.

Afinal, o feedback é como uma semente: no solo certo e no tempo certo, germina. Porém, quando é lançado de qualquer jeito e na hora errada, pode simplesmente se perder.

Feedback também é escuta

Além de falar com clareza, dar feedback também exige saber ouvir. Esse, inclusive, é um dos lados menos praticados dessa conversa.

As melhores conversas de desenvolvimento não são monólogos. Depois de pontuar o que precisa ser dito, pergunte como a outra pessoa enxerga a situação. Às vezes, existe um contexto que você ainda não conhece, uma dificuldade real ou uma razão por trás daquele comportamento.

Quando você escuta antes de concluir, o seu feedback se torna mais justo, mais humano e também mais certeiro. Além disso, a pessoa percebe que não está apenas sendo avaliada, mas verdadeiramente compreendida.

Como consequência, ela baixa a guarda e se abre para mudar. No fim das contas, escutar é uma das formas mais generosas de liderar. Isso é UAU.

Conclusão: feedback é um ato de cuidado

Dar feedback, portanto, não deve ser um momento de julgamento. Pelo contrário, deve ser um ato de cuidado com o crescimento do outro.

Quando você corrige com verdade, foca no comportamento, oferece um caminho e escuta com atenção, deixa de ser alguém que apenas aponta defeitos e passa a ser alguém que desenvolve pessoas. E, sem dúvida, poucas habilidades de liderança são tão valiosas quanto essa.

Por isso, na próxima vez que precisar dar um retorno difícil, lembre-se: o objetivo não é mostrar que você está certo. O objetivo é ajudar alguém a ficar melhor do que estava.

Faça isso com cuidado, clareza e respeito. Assim, o seu feedback terá mais chances de ser lembrado como um presente, e não como uma ferida.

E agora eu te pergunto: qual foi o melhor feedback que você já recebeu na vida, e o que fez ele funcionar? Conta nos comentários. A sua história pode ensinar muita gente a corrigir com mais cuidado e mais coragem.

Com amor e verdade, Gislene Isquierdo

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